" Leve é o Corpo que se solta, Livre é a Alma que se entrega ao Amor.... Segue O que se ergue no Horizonte!"

- Grande Mãe, recebida por Ísis de Sírius

11 maio, 2013

Os segredos do DENTE-DE-LEÃO



DENTE-DE-LEÃO É O NOME VULGAR DE UMA PLANTA MEDICINAL TARAXACUM OFFICINALE, TAMBÉM CONHECIDA COMO AMOR-DE-HOMEM, AMARGOSA, ALFACE-DE-CÃO OU SALADA-DE-TOUPEIRA.



COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES


OS COMPONENTES ATIVOS, CONHECIDOS ATÉ AGORA, SÃO: 0,5% DE TARAXINA (UM ELEMENTO AMARGO), 40 % DE INULINA, VITAMINA D, COLINA, ÁCIDO POXIFENILACÉTICO, ÁCIDO DIOXINÂMICO, ÁCIDO TARTÁRICO, GORDURA, CERA E NA RAIZ, UM ÓLEO ESSENCIAL.

AS NUMEROSAS MATÉRIAS ATIVAS QUE PELO SEU EFEITO SE COMPLEMENTAM E COMPLETAM PROVOCAM:


1. UM ESTÍMULO DA MUSCULATURA DAS VIAS GASTRINTESTINAIS E DAS GLÂNDULAS SALIVARES, GÁSTRICAS, INTESTINAIS, PÂNCREAS E FÍGADO. PRODUZ-SE ASSIM MAIOR SECREÇÃO DE SALIVA, BÍLIS E SUCO GÁSTRICO, PANCREÁTICO E INTESTINAL. O IMPORTANTE É CONSEGUIR ASSIM UM MELHOR FUNCIONAMENTO DO FÍGADO E DA VESÍCULA.


2. UMA EXCITAÇÃO DAS GLÂNDULAS DAS VIAS RESPIRATÓRIAS, FACILITANDO A EXPECTORAÇÃO DE ESCARROS.


3. UMA EXCITAÇÃO DOS RINS, QUE EXPULSAM MAIOR QUANTIDADE DE LÍQUIDO, PRODUZINDO UMA DESCIDA DA PRESSÃO ARTERIAL, QUANDO O CONSUMO É PROLONGADO.


INDICAÇÕES:

AS NUMEROSAS MATÉRIAS ATIVAS QUE PELO SEU EFEITO SE COMPLEMENTAM E COMPLETAM PROVOCAM:


1. UM ESTÍMULO DA MUSCULATURA DAS VIAS GASTRINTESTINAIS E DAS GLÂNDULAS SALIVARES, GÁSTRICAS, INTESTINAIS, PÂNCREAS E FÍGADO. PRODUZ-SE ASSIM MAIOR SECREÇÃO DE SALIVA, BÍLIS E SUCO GÁSTRICO, PANCREÁTICO E INTESTINAL. O IMPORTANTE É CONSEGUIR ASSIM UM MELHOR FUNCIONAMENTO DO FÍGADO E DA VESÍCULA.

2. UMA EXCITAÇÃO DAS GLÂNDULAS DAS VIAS RESPIRATÓRIAS, FACILITANDO A EXPECTORAÇÃO DE ESCARROS.

3. UMA EXCITAÇÃO DOS RINS, QUE EXPULSAM MAIOR QUANTIDADE DE LÍQUIDO, PRODUZINDO UMA DESCIDA DA PRESSÃO ARTERIAL, QUANDO O CONSUMO É PROLONGADO.


INDICAÇÕES:

Raíz:




  • LEUCEMIA

  • ANEMIA

  • TUMOR DE MAMA

  • DIABETES

  • INFECÇÕES

  • DEPRESSÃO

  • ARTRITE

  • OSTEOARTRITE

  • GOTA

  • ECZEMA

  • PSORÍASE

  • REUMATISMO

  • CONSTIPAÇÃO

  • FLATULÊNCIA

  • ACNE

  • PURIFICADOR DO SANGUE

  • NIVELAR O FÍGADO

  • NIVELAR OS RINS

  • NIVELAR A VESÍCULA BILEAR

  • DIURÉTICO

  • LAXANTE

  • FACILITAR A DIGESTÃO

  • ESTIMULAR O APETITE

  • IMPULSIONAR A IMUNIDADE

  • ANTIOXIDANTE




Folhas:

  • HIPERTENSÃO

  • DEFICIÊNCIA CARDÍACA

  • COLESTEROL ALTO

  • OBESIDADE

  • PERDA DE MEMÓRIA RELACIONADA COM A IDADE

  • MENOPAUSA


O EXTRATO DE RAIZ DE DENTE DE LEÃO É ÚNICO; E É UMA DAS ÚNICAS COISAS ENCONTRADAS PARA AJUDAR NA CURA DA LEUCEMIA MIELOMONOCÍTICA CRÔNICA E É EFICAZ NO TRATAMENTO DE TUMORES DE MAMA.

ELA DESINTOXICA OS ÓRGÃOS VITAIS. POR CAUSA DE SUAS HABILIDADES DIURÉTICAS, A RAIZ DE DENTE-DE-LEÃO É BENÉFICA PARA NIVELAR PARA FORA O FÍGADO, RINS E VESÍCULA BILIAR. FUNCIONA MUITO BEM PARA PURIFICAR O SANGUE E LIMPAR O SISTEMA. ISTO TAMBÉM FAZ COM QUE SEJA UMA BOA ERVA PARA COMBATER AS INFECÇÕES. É USADA TAMBÉM NO TRATAMENTO CONTRA A ARTRITE, OSTEOARTRITE, GOTA E REUMATISMO.

O CHÁ DE DENTE-DE LEÃO NÃO SÓ É MUITO POTENTE PARA PREVINIR CONTRA DOENÇAS COMO TAMBÉM PARA CURÁ-LAS. ELE AJUDA A IMPULSIONAR A IMUNIDADE E PREVINE CONTRA DOENÇA CARDÍACA E PERDA DE MEMÓRIA RELACIONADA COM A IDADE.

DEVIDO AO ALTO TEOR DE FERRO, A RAIZ DE DENTE-DE-LEÃO É UTILIZADA NO TRATAENTO CONTRA A ANEMIA, POIS A ERVA É BENÉFICA PARA A CONSTRUÇÃO DE GLÓBULOS VERMELHOS DO SANGUE.

A RAIZ DE DENTE-DE-LEÃO TEM DEMONSTRADO QUE ABAIXA O NÍVEL DE AÇÚCAR NO SANGUE EM PACIENTES. NA EUROPA, ELA É USADO PARA TRATAR DIABETES TIPO 1 E 2.

A ERVA FAZ BEM AO SISTEMA DIGESTIVO. SEU CHÁ É BENÉFICO PARA ALIVIAR A CONSTIPAÇÃO, FLATULÊNCIA E PROPORCIONAR UMA SENSAÇÃO DE PLENITUDE.


A RAIZ DE DENTE-DE-LEÃO É UM DIURÉTICO NATURAL. QUANDO COMBINADO COM O SEU CONTEÚDO ELEVADO DE POTÁSSIO, É UM TRATAMENTO EFICAZ PARA BAIXAR A PRESSÃO SANGUÍNEA.


O CHÁ DESTA ERVA AJUDA A REDUZIR O COLESTEROL ELEVADO.
ESTA ERVA TEM UM ALTO VALOR NUTRICIONAL. ELA CONTÉM VITAMINAS A, COMPLEXO B, C E D, BEM COMO OS MINERAIS ZINCO, FERRO E POTÁSSIO. ESTA COMBINAÇÃO DE VITAMINAS E MINERAIS TAMBÉM FAZ DA RAIZ DE DENTE-DE-LEÃO UM ALIMENTO ANTIOXIDANTE.


DEVIDO À ELEVADA QUANTIDADE DE VITAMINA DO COMPLEXO B, A RAIZ DE DENTE-DE-LEÃO AJUDA A ESTABILIZAR O HUMOR E TRATAR A DEPRESSÃO.

ESTA RAIZ TAMBÉM É USADA PARA TRATAR DOENÇAS DE PELE, COMO ECZEMA, ACNE E PSORÍASE.
É MUITO BENÉFICA PARA AS MULHERES NA MENOPAUSA.
A RAIZ DE DENTE-DE-LEÃO TAMBÉM É UM LAXANTE SUAVE E É USADO PARA AJUDAR A REGULAR O INTESTINO.
O CHÁ COMPOSTO DE FOLHAS E/OU RAÍZES AJUDA A CONTROLAR E ATÉ PERDER PESO.


EMPREGO COMO PLANTA MEDICINAL
A) DOENÇAS HEPÁTICAS, VESICULARES, ICTERÍCIA, HEMORRÓIDAS, CATARROS DO ESTÔMAGO E DOS INTESTINOS, FLATULÊNCIAS E LOMBRIGAS.
B) PARA DEPURAÇÃO DO SANGUE.
C) PARA RECONSTITUINTE NAS SECREÇÕES BRONQUIAIS CRÔNICAS.
D) PARA OS TRANSTORNOS CIRCULATÓRIOS E RENAIS, SOBRETUDO RELACIONADOS COM A HIPERTENSÃO.
O EFEITO PRINCIPAL É EXERCIDO INDUBITÁVELMENTE SOBRE O FÍGADO E A VESÍCULA E ATRAVÉS DELES SOBRE O METABOLISMO NA SUA TOTALIDADE. POR MEIO DESTES EFEITOS METABÓLICOS GERAIS OBTÊM-SE TAMBÉM RESULTADOS BENÉFICOS NOS CASOS DE GOTA, REUMATISMO, OBESIDADE, ESCLEROSE, DOENÇAS DO SANGUE E TAMBÉM, ÀS VEZES, DA DIABETES.
O MELHOR NESTES CASOS É EMPREGAR SUMO FRESCO OBTIDO POR PRESSÃO DAS FOLHAS E DAS RAÍZES, TOMANDO TRÊS VEZES AO DIA UMA COLHER DE SOPA DURANTE UM PERÍODO DE TRÊS A SEIS SEMANAS.
SE NO INVERNO SE OBTIVEREM FOLHAS E RAÍZES SECAS, MISTURAM-SE ESTAS EM PARTES IGUAIS E PREPARA-SE UMA INFUSÃO COM UMA COLHERADA DA MISTURA NUM COPO DE ÁGUA, BEBENDO UM COPO VÁRIAS VEZES POR DIA. 


EMPREGO COMO CHÁ


JUNTE 2 COLHERES DE SOPA DE RAÍZES OU DE FOLHAS PICADAS NUM 1 LITRO DE ÁGUA.

FERVA DURANTE 3 MINUTOS.

TAMPE E ESPERE ESFRIAR.

COE E TOME AO LONGO DO DIA.

EMPREGO COMO SALADA


AS FOLHAS DO DENTE-DE-LEÃO CONSTITUEM UMA EXCELENTE SALADA PELO SEU EFEITO ESTIMULANTE SOBRE O APETITE. QUEM SE HABITUA A CONSUMIR VÁRIAS VEZES POR SEMANA SALADA DE DENTE-DE-LEÃO OU DE QUALQUER VERDURA SILVESTRE MISTURADA, NÃO ESPERA COM INTERESSE O APARECIMENTO DA ALFACE, POIS ESTA PARECER-LHE-Á INSÍPIDA COMPARADA COM AQUELA. CONTINUARÁ, PORTANTO, COM A SALADA DOS DENTES-DE-LEÃO, ATÉ QUE BROTEM AS FLORES E O SABOR SE TORNE MAIS FORTE E AMARGO.

O EMPREGO DO DENTE-DE-LEÃO NA FORMA DE SUCO FRESCO E DE SALADA É MUITO RECOMENDADO PARA A LIMPEZA DO ORGANISMO E DEVE SER VULGARIZADO.

QUANDO SE ENTERRAM AS RAÍZES EM AREIA DURANTE O OUTONO E SE MANTÉM UM POUCO ÚMIDAS, HAVERÁ NA PRIMAVERA UMA SALADA UM POUCO PÁLIDA, MAS DE SABOR AGRADÁVEL SERVINDO TAMBÉM ESTAS FOLHAS PARA CONDIMENTO DE SALADA DE BATATAS.

NO OUTONO, DESENTERRAM-SE AS RAÍZES, CORTAM-SE EM PEQUENAS RODELAS E PREPARAM-SE COM SALADA DE ALHOS-PORROS. PRODUZ UM GRANDE EFEITO DIURÉTICO.

AS RAÍZES PODEM APROVEITAR-SE TAMBÉM PARA SOPAS E OUTROS PREPARADOS DE VERDURAS.

OBTÉM-SE UM SUBSTITUTO DO CAFÉ, CORTANDO EM CUBOS E TORRANDO AS RAÍZES SECAS. A INFUSÃO NÃO É DESAGRADÁVEL.



EFEITOS COLATERAIS

HÁ MUITO POUCOS EFEITOS COLATERAIS LIGADOS AO USO DE RAIZ DE DENTE-DE-LEÃO. REAÇÕES ALÉRGICAS A ERVA FORAM RELATADOS. AS PESSOAS QUE TOMAM PRESCRIÇÃO LÍTIO, UM DIURÉTICO, MEDICAÇÃO PARA PRESSÃO ARTERIAL OU MEDICAMENTOS PARA REDUZIR O AÇÚCAR NO SANGUE NÃO DEVEM TOMAR A RAIZ DE DENTE-DE-LEÃO. GESTANTES OU LACTANTES DEVEM CONSULTAR SEU MÉDICO ANTES DE TOMAR ESTA ERVA.






fonte: canaldescubra.wordpress.com

14 abril, 2013

A Sereia de Zennor


A vila de Zennor fica na Cornualha. Em tempos passados, o mar era a principal fonte de renda dessa cidade. As horas eram contadas pelo fluxo da maré. Muitos pescadores acabavam perdidos em tempestades no mar. Quando a pesca era farta, eles iam agradecer na igreja local. Eles rezavam para ter sorte no dia seguinte também.
Entre eles, havia um rapaz chamado Mathew Trewella. Ele era muito belo e tinha uma voz doce e melodiosa.

Uma noite, muito cedo ainda, quando todos os barcos de pesca estavam ancorados, as famílias estavam na igreja e as aves em seus ninhos, e até mesmo as próprias ondas repousavam calmamente nas praias, alguma coisa apareceu calmamente à luz do crepúsculo.
Das ondas surgiu um som, e abaixo delas, apareceu uma criatura, que subiu numa pedra, na enseada de Zennor.

Ela parecia ser uma bela moça mas no lugar de pernas tinha uma longa cauda prateada.
Era uma sereia, uma das filhas de Llyr, rei do oceano, e seu nome era Morveren.

Morveren sentou-se sobre a rocha e debruçou-se na água calma e, em seguida, tirou todos os pequenos caranguejos e conchas de seus longos cabelos.

Enquanto ela penteava os cabelos, ouvia o murmúrio das ondas e do vento e carregadas pelo vento vinha a canção de Mathew.


“Que canção é esta que a brisa está trazendo?” perguntou Morveren.


Mas quando o ventou morreu a canção desapareceu.

Então Morveren deslizou de volta para o mar, porque já era noite.
Na outra noite ela veio novamente, mas desta vez ela nadou mais próxima à costa para melhor ouvir. E mais uma vez a ela ouviu a voz da Mathew trazida para o mar.


“Que pássaro canta tão docemente?” perguntou.


Mas as trevas haviam chegado, e os seus olhos viam apenas sombras.
No dia seguinte Morveren chegou mesmo mais cedo, e foi mais ousada. Ela lançou-se diretamente até aos barcos de pescadores. E quando ela ouviu a voz do Mathew, ela chamou
 :

“Que maestro é esse que conduz essa música?”


Não houve qualquer resposta, salvo o barulho das ondas sobre os recifes.

Morveren decidiu saber mais sobre aquela canção. Ela tentou se aproximar e pôde ver a igreja e ouvir a música a partir das sua portas abertas. Mas toda a vez que a maré baixava ela tinha que voltar, senão ela ficaria encalhada. Ela decidiu mergulhar sob as ondas, até a caverna escura onde ela vivia com seu pai, o rei. E aí ela falou com Llyr o que ela tinha ouvido.

Llyr era tão velho que parecia ser esculpido no rochedo, seus cabelos emaranhados eram verdes como algas. Ao ouvir as palavras dela, ele balançou a cabeça.

“Ouvir é suficiente, minha criança. Ver seria demasiado.”

“Eu preciso ir, pai”, ela implorou, “esta música é mágica”.

“O quê?!”, Ele respondeu: “A música é feita pelos humanos. Nós do povo do mar não caminhamos sobre a terra dos homens.”


Uma lágrima, maior do que uma pérola, caiu dos olhos de Morveren.


“Então, certamente eu morrerei”.

Llyr suspirou, e seu suspiro estrondava como ondas gigantes sobre as rochas; uma sereia chorando era uma coisa rara e isso incomodou o velho rei do mar.

“Vai então”, disse ele, finalmente, “mas vai com cuidado. Cobre a tua cauda com um vestido, como fazem as humanas . Vai calmamente, com a certeza que ninguém te verá. Retorna com a maré alta, ou nunca mais conseguirás voltar para nós.”


“Vou tomar cuidado, pai!” - chorou Morveren, animada.

Llyr deu-lhe um lindo vestido com pérolas, jades, corais do mar e outras jóias oceânicas.
Cobriu sua cauda e seu cabelo brilhante com uma rede, e foi disfarçada para a igreja.Mas escamas e caudas de peixes não sãoforam feitas para andar a pé, e era difícil para Morveren ir até a igreja. Mas ela foi ... arrastando-se!

Era o último hino, as pessoas estavam olhando para baixo ou para o coro e ninguém a viu. Mas ela viu-os e também viu Mathew. Ele era lindo com um anjo e cantava como uma harpa celestial.
Então, nas outras noites, ela ia até lá e fugia antes da última nota do hino, enquanto a maré ainda estava alta. Isso durante o período de um ano e cada vez mais a voz de Mathew crescia no coração dela. Mathew cresceu e sua voz ficou mais profunda e mais forte (embora Morveren permanecesse a mesma, porque assim era o jeito das sereias).


Um dia ela permaneceu mais que o habitual. Ouviu Mathew cantar um versículo, e depois outro, e começar um terceiro. Cada refrão foi mais adorável que o primeiro e ela suspirou. Foi apenas um pequeno suspiro, mais suave do que um murmúrio, mas foi o suficiente para Mathew ouvir, e ele olhou para trás e viu os olhos da sereia, Morveren brilhando. E a rede de sua cabeça escapou deixando ver seus cabelos brilhantes. Ele parou de cantar. Foi silenciado pelo olhar dela - e pelo seu amor por ela. Pois estas coisas acontecem. Morveren ficou assustada Mathew tinha-a visto , e seu pai tinha avisado que ninguém deveria olhar para ela.

Além disso, a igreja estava quente e seca, e o povo do mar deve estar em lugares frios e úmidos. Morveren sentiu-se encurralada, e correu.

“Pára!” implorou Mathew. “Espera!”
E ele correu para a gôndola da igreja e pela porta afora.
Então todo o povo virou, livros de hino caindo pelo chão. Morveren enrolou-se no seu vestido e teria caído se Mathew não tivesse a segurado.

“Fica!” ele implorou. “Quem quer que sejas, não vás!”

Lágrimas, lágrimas reais como o mar, salgadas como ela própria, escorriam pelas bochechas de Morveren.

“Eu não posso ficar. Eu sou uma criatura do mar, e tenho de voltar onde eu pertenço.”

Mathew encarou-a e viu a ponta de sua cauda aparecendo por baixo do vestido. Mas isso não lhe importava .

“Então vou contigo! Porque eu pertenço aonde tu estiveres!”

Ele levantou Morveren, e segurou-a contra o peito.
E correu com ela até o oceano.


As pessoas da igreja vendo isso gritaram para ele parar.

“Não! Não, Mathew!” chorou a mãe do garoto.
Mas Mathew foi enfeitiçado pelo amor da sereia, e correu com ela o mais rápido que pôde em direção ao mar.
Em seguida, os pescadores de Zennor o perseguiram, até mesmo a mãe de Mathew. Mas Mathew foi rápido e forte e se distanciou. Morveren foi rápida e inteligente. Ela arrancou as pérolas e os corais de seu vestido e jogou-os no caminho. Os pescadores foram gananciosos e pararam para pega-las. Apenas a mãe de Mateus continuou correndo. A maré estava baixando. Grandes rochas apareciam da água escura. Já era muito raso para Morveren nadar, mas Mathew mergulhou.
Rapidamente a mãe dele tentou segura-lo. O mar subiu até altura da cintura de Mathew, e depois, seus ombros. Em seguida, as águas se fecharam sobre Morveren e Mathew, e sua mãe ficou com apenas um pedaço de fio em sua mão, como uma linha de pesca e mais nada. Nunca mais ninguém viu Mathew e Morveren. Eles passaram a viver na terra de Llyr, construindo castelos na areia dourada muito abaixo das águas de um mundo azul-verde.

Mas o povo de Zennor ouvia Mathew.
Para ela, ele cantava dia e noite, canções de amor e canções de ninar. Mathew aprendeu canções do mar também. Sua voz ficava macia e alta se o dia fosse bom, profunda e baixa se Llyr fosse fazer as águas se revoltarem.

Com suas músicas, os pescadores de Zennor sabiam quando era seguro ir para o mar, e quando era sensato ficar em casa. Ainda há alguns que continuam a encontrar significados nas vozes das ondas e compreender os sussurros dos ventos. Estes são os que dizem que Mathew canta ainda, para aqueles que saibam ouvir.



09 março, 2013

Morgana fala...


Em vida, chamaram-me de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. O mundo das fadas afasta-se cada vez mais daquele em que cristo predomina. Nada tenho contra o Cristo, apenas contra os seus sacerdotes, que chama a Grande Deusa de demônio e negam o seu poder no mundo. Alegam que, no máximo, esse seu poder foi o de Satã. Ou vestem-na com o manto azul da Senhora de Nazaré – que realmente foi poderosa, ao seu modo –, que, dizem, foi sempre virgem. Mas o que pode uma virgem saber das mágoas e labutas da humanidade?

E agora que este mundo está mudado e Arthur – meu irmão, meu amante, rei que foi e rei que será – está morto (o povo diz que ele dorme) na ilha sagrada de Avalon, é preciso contar as coisas antes que os sacerdotes do Cristo Branco espalhem por toda parte os seus santos e lendas.

Pois, como disse, o próprio mundo mudou.

Houve tempo em que um viajante se tivesse disposição e conhecesse apenas uns poucos segredos, poderia levar sua barca para fora, penetrar no mar do Verão e chegar não ao Glastonbury dos monges, mas à ilha sagrada de Avalon: isso porque, em tal época, os portões entre os mundos vagavam nas brumas, e estavam abertos, um após o outro, ao capricho e desejo dos viajantes. Esse é o grande segredo, conhecido de todos os homens cultos de nossa época: pelo pensamento criamos o mundo que nos cerca, novo a cada dia.

E agora os padres, acreditando que isso interfere no poder do seu Deus, que criou o mundo de uma vez por todas, para ser imutável, fecharam os portões (que nunca foram portões, exceto na mente dos homens), e os caminhos só levam à ilha dos padres, que eles protegeram com o som dos sinos de suas igrejas, afastando todos os pensamentos de um outro mundo que viva nas trevas. Na verdade, dizem eles, se aquele mundo algum dia existiu, era propriedade de Satã, e a porta do inferno, se não o próprio inferno. Não sei o que o Deus deles pode ter criado ou não. Apesar das historias contadas, nunca soube muito sobre seus padres e jamais usei o negro de uma de suas monjas-escravas. Se os cortesãos de Arthur em Camelot fizeram de mim este juízo, quando fui lá (pois sempre usei as roupas negras da Grande Mãe em seu disfarce de maga), não os desiludi.

E na verdade, ao final do reinado de Arthur, teria sido perigoso agir assim, e inclinei a cabeça à conveniência, como nunca teria feito a minha grande Senhora, Viviane, Senhora do Lago, que depois de mim foi a maior amiga de Arthur, para se transformar mais tarde em sua maior inimiga, também depois de mim.

A luta, porém, terminou. Pude finalmente saudar Arthur, em sua agonia, não como meu inimigo e o inimigo de minha Deusa, mas apenas como meu irmão, e como um homem que ia morrer e precisava da ajuda da mãe, para a qual todos os homens finalmente se voltam. Até mesmo os sacerdotes sabem disso, com sua Maria sempre-virgem em seu manto azul, pois ela, na hora da morte, também se transforma na Mãe do Mundo.

E assim, Arthur jazia enfim com a cabeça em meu colo, vendo-me não como irmã, amante ou inimiga, mas apenas como maga, sacerdotisa, Senhora do Lago; descansou, portanto no peito da Grande Mãe, de onde nasceu, e para quem, como todos os homens, tem a finalidade de voltar. E talvez – enquanto eu guiava a barca que o levava, desta vez não para a ilha dos padres, mas para a verdadeira ilha sagrada no mundo das trevas que fica além do nosso, para a ilha de Avalon, aonde, agora, poucos, além de mim, poderiam ir – ele estivesse arrependido da inimizade surgida entre nós.(...)

A verdade tem muitas faces e assemelha-se à velha estrada que conduz a Avalon: o lugar para onde o caminho nos levará depende da nossa própria vontade e de nossos pensamentos, e, talvez, no fim, chegaremos ou à sagrada ilha da eternidade, ou aos padres, com seus sinos, sua morte, seu Satã e Inferno e danação...Mas talvez eu seja injusta com eles. Até mesmo a Senhora do Lago, que odiava a batina do padre tanto quanto teria odiado a serpente venenosa, e com boas razões, censurou-me certa vez por falar mal do deus deles.

“Todos os deuses são um deus”, disse ela, então como já dissera muitas vezes antes, e como eu repeti para as minhas noviças inúmeras vezes, e como toda sacerdotisa, depois de mim, há de dizer novamente, “e todas as deusas são uma deusa, e há apenas um iniciador. E cada homem a sua verdade, e Deus com ela”.

Assim, talvez a verdade se situe em algum ponto entre o caminho para Glastonbury, a ilha dos padres, e o caminho de Avalon, perdido para sempre nas brumas do mar do Verão.

Mas esta é a minha verdade; eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana que em tempos mais recentes foi chamada Morgana, a Fada.

Marion Zimmer Bradley, in As Brumas de Avalon

03 fevereiro, 2013

Vem Lilith!


É no brilho dos teus olhos
que reconheço a tua sombra, ou a minha...
É na ousadia com que ergues o queixo
que vislumbro a tua Coragem, ou a minha...
É no movimento do teu corpo, ondulante
que percorro o teu Caminho, ou o meu...
É com a tua energia mais recôndita e fria
que desço às profundezas do teu Ser, ou do meu...

Vem Lilith...
Vem Inanna, Ishtar, Isis...
Vem Hécate, Ereshkigal, Maat,
Todo o meu Ser desperta e anseia este reencontro.

Vem Lilith...
O desassossego recomeça...
enquanto me dispo para Ti!

- Isis de Sirius (Susana Duarte), 02/02/2013

26 janeiro, 2013

Eu sou a grande Mãe Universal



"Eu sou a terra, eu sou a vida.

Do meu barro primeiro veio o homem.

De mim veio a mulher e veio o amor.

Veio a árvore, veio a fonte.

Vem o fruto e vem a flor.




Eu sou a fonte original de toda vida.

Sou o chão que se prende à tua casa.

Sou a telha da coberta de teu lar.

A mina constante de teu poço.

Sou a espiga generosa de teu gado

e certeza tranqüila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.

De mim vieste pela mão do Criador,

e a mim tu voltarás no fim da lida.

Só em mim acharás descanso e Paz.




Eu sou a grande Mãe Universal.

Tua filha, tua noiva e desposada.

A mulher e o ventre que fecundas.

Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor..."

- Cora Coralina

22 dezembro, 2012

A Rainha Boudicca



"Boudicca era alta, terrível de olhar e abençoada com uma voz poderosa. Uma cascata de cabelos vermelhos alcançava seus joelhos; usava um colar dourado composto de ornamentos, uma veste multi-colorida e sobre esta um casaco grosso preso por um broche. Carregava uma lança comprida para assustar todos os que deitassem-lhe os olhos."...(Dião Cássio em "História Romana").

Boudicca era a rainha da tribo celta Iceni, que habitava a Grã-Bretanha por ocasião da conquista romana.

Entretanto, Prasutagus, seu marido, é quem conduzia o povo. Ele comprometeu sua posição política, quando realizou inúmeros acordos com os romanos, inclusive entregando parte de seus domínios, com a esperança de proteger seu título e sua família.

Mas, o rei Prasutagus, acabou sendo abatido pelo invasor e a rainha Boudicca, juntamente com suas filhas, foram estupradas e humilhadas pelos romanos. Os legionários saquearam todo o reino e realizaram uma operação de ataque contra a ilha de Mona, hoje conhecida como Anglessey, onde se encontrava um dos mais importantes centros de culto dedicado a Deusa Andraste. Essa iniciativa foi encerrada com a degola de diversos celtas, sendo que, os druidas, cuja a doutrina sempre foi incompreensível para o racionalismo latino, foram os primeiros a morrer, seguindo a escravização dos demais e a aniquilação dos bosques sagrados. Tudo isso, vai além da simples humilhação militar. Para uma cultura que tem a religião em tão alta estima, tais atos são autênticas profanações, um golpe certeiro na coluna vertebral de sua organização social. É possível que os generais romanos não se deram conta do que estava acontecendo, pois para eles, os deuses não passavam de um entretenimento pessoal, quase um luxo reservado aos acomodados patrícios de Roma ou para contentar escravos que não tinham mais consolo.

Com relação aos druidas, consideravam-nos chefes de rebeliões disfarçados de sacerdotes. Acreditavam que, destruindo seu centro de reunião, seria mais fácil pacificar a ilha inteira. Mas os druidas eram os únicos homens preparados para ensinar, perpetuar e aplicar de forma adequada a religião, algo que dava sentido a existência celta. Tentar extirpar o druidismo de sua raiz era condenar todos os celtas a algo pior do que a morte.

A notícia da destruição do centro do culto da Deusa Andraste associado ao ocorrido com a rainha Boudicca e suas filhas, resultou em uma reação bastante selvagem entre os bretões. Uma grande rebelião foi organizada e à frente da mesma foi colocada ao comando da rainha. As mulheres celtas, não eram somente semelhantes aos homens em estatura, mas equivalentes a eles, no que diz respeito à coragem, técnicas de guerra e o desejo de vingança.

Boudicca, então, com um exército de 100.000 homens impôs pesados revezes às legiões romanas. Colchester (Camulodunum), Londres (Londinium) e Verlamium, conheceram os efeitos da reputação guerreira da rainha e o tratamento que ela dava a seus inimigos. Suas ações bélicas foram consideradas como as mais sangrentas realizadas pelos celtas. Várias cidades romanas ficaram arrasadas e centenas de mulheres foram decapitadas em sacrifício à Deusa Andraste, a quem eram dedicadas todas as suas vitórias.

Os bretões devolveram "olho por olho" cada ato de crueldade que sofreram, destruíram todos os fortes romanos que encontravam pela frente e festejavam sobre as suas ruínas.

Contava-se que Boudicca libertava uma lebre como parte de um rito à Andraste, antes de iniciar uma batalha. Se os romanos matassem o animalzinho, despertariam a fúria da Deusa, que lutaria a seu lado, levando-a à derradeira vitória.

Entretanto, em uma última batalha, um exército romano chefiado por Suetônio Paulino,melhor equipado e organizado, acabou derrotando-a. A vitória romana converteu-se em carnificina.

Há informes contraditórios da morte de Boudicca. Há quem diga que ela morreu na batalha, mas muitas outros estudiosos afirmam que ela envenenou-se, evocando, em seu último suspiro, a Deusa Andraste, a "Invencível".

A morte da Rainha vermelha, entretanto, não pacificou os bretões, só serviu mesmo para estabilizar a situação. Os celtas compreenderam que seria quase impossível expulsar os romanos de seu território, mas esses também entenderam que seria totalmente impossível se impor aos celtas. Isso desembocou em uma frágil paz que nenhum dos dois grupos rompeu antes da coroação de Vespasiano como imperador de Roma.

Há um grande mistério em torno do nome de Boudicca, pois em galês ("budd" em galês), ele significa "A Vitória" e é bem provável que esta rainha ocupou uma posição dupla como líder tribal e como uma Druida. Esse nome, portanto, talvez seja um título religioso e não um nome pessoal, significando o ponto de vista de seus seguidores, que a personalizavam como uma Deusa.
Isso ajudaria explicar o fanatismo de uma variedade de tribos em seguir a liderança de uma mulher na batalha.

Boudicca era uma guerreira enfurecida, sendo descrita como uma mulher alta, de compleição física forte, dotada de uma vasta cabeleira vermelha e capaz de mudar seu rosto com gestos e contorções típicos de qualquer combatente celta. Todos os povos bretões levantaram suas armas para segui-la."

Texto de Rosane Volpatto